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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O poder da palavra

Não lembro muito da minha infância, época das minhas meninices.  Mas tenho boas recordações da minha adolescência. E vendo uma imagem sobre agressão verbal, fiquei refletindo sobre o poder da palavra.

 Cheguei à conclusão de que lembro mais de coisas que ouvi, do que das brigas que tive nos tempos da escola e na  minha  rua.  Consigo lembrar menos das muitas surras com cipó de araçá, dadas pela minha avó – diga- se de passagem, bem merecidas em minha opinião –, do que das palavras que ouvi de algumas pessoas.

Palavras essas que em alguns casos desacreditei, e de outras que ainda exercem um poder influenciador até hoje em minha vida.

Entendo que alguns dos maiores medos do ser humano é a dor, a morte, o sofrimento... Mas qual maior dor: a da perda de um grande amor, a de uma calúnia, difamação, traição, a qual nenhum analgésico resolve, ou a dor de um ferimento que se cura com remédio? A dor emocional gera doenças psicossomáticas de tal forma, que podem até levar à morte.

Estive lendo, há algum tempo uma matéria que falava que é mais fácil ser atingido por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma  cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra.

Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada. Mas o que estamos fazendo em nossos dia a dia?

 Um dia estava passando no beco onde moro e ouvi uma espécie de dialogo de um filho com uma mãe. Ela fazia uma pergunta para o adolescente. O rapazinho joga a mochila no chão, olha pra ela com um olhar de rebeldia, e dispara uma série de palavras grosseiras para sua genitora. Apenas uma pergunta foi feita pra ele. E mais nada! E sua reação fulminante...

 Filhos que vivem em ambientes onde os pais trocam ofensas diariamente, e isso quando não há agressão física. São ditas palavras do tipo: - Você é a desgraça da minha vida, não te predôo, não me considere seu pai, você é burro, você nunca vai conseguir, ela não é pra você, você não tem chance na vida, dentre tantas outras.

Diante de tantas palavras negativas dadas ao outro, o que será que elas geram nesses indivíduos que as ouvem? O que uma palavra como essa gera na alma de uma criança? As palavras têm poder tanto para construir, quanto para destruir, tanto para curar quanto para matar. 

Deus criou tudo que há pela palavra, o amor de Deus se manifestou pela palavra. O livro do evangelista João diz: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória do unigênito do pai”. Deus fez manifestar no ventre de uma mulher o maior ato de amor pela humanidade. 

A língua é como um leme de navio, tão pequenina, mas faz uma diferença enorme na direção dele. É importante respeitarmos o silêncio de quem sofre, medir as palavras antes de proferi-las. Uma palavra mal dita é pior que uma flecha lançada...

Ouça mais e fale menos. Não julgue. Faça como disse o bom homem Santo Agostinho: Ame e faça tudo! “Quando a gente ama é claro que a gente cuida!”

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