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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O perdão liberta

Havia prometido para mim mesmo que não voltaria a escrever poemas, contos ou algo desta natureza, em função de outrora não ter atingido o objetivo desejado na minha empreitada sentimental: a conquista de um amor adolescente, que fechou as janelas da minha alma para a fantasia das paixões arrebatadoras.

Trilhei por um caminho de reclusa nesse meu lado do cérebro. Todavia, o tempo passou e, em determinado lugar na minha trajetória, acabei percebendo que não estava sendo justo comigo mesmo. Pensei: Como poderia inibir dentro de mim uma veia, um canal, uma janela pra vida tão importante? Pedi perdão a mim mesmo e me perdoei, pois entendi que a poesia em minha vida é uma porta que se abre e se fecha em todo o tempo, é uma oportunidade que tenho de dizer quem sou, mesmo se a intenção for ocultar-me; é um escape pela porta da frente; é um momento de libertação; é a hora H, em que traduzo a mim mesmo, e o instante em que encaro o meu próprio reflexo sem sombra de narcisismo, mesmo que consciente da beleza que reflete, da beleza que se manifesta nesse momento mágico que se configura, pois escrever o que sinto é mais que revelar-me, é como a relação do sol com a lua. Meu sentimento oculto expõe-se em dado momento e, a luz da poesia o reflete com glória e beleza.

Escrever poesia é como fazer amor, é uma mistura de prazer que envolve corpo, alma e espírito, envolve sair de si, descentrar-se; envolve revelação do íntimo; escrever poesia é ser íntegro no que sente; escrever poesia é gerar vida nas vidas, é transcender, é ser mais... Quando escrevo poesia, tudo em mim converge para um bem maior. No poema eu sou eu mesmo o tempo todo, no poema a luz que reflete está focada no cerne da minha alma... Não existe espaço para o artificial, posso até passear pelas trilhas da fantasia. No entanto, só trarei de lá o brilhantismo e as cores que traduzem a natureza de cada sentimento que ocupa a arquibancada do meu coração e me faz voar com as asas da imaginação para o mundo das letras...

Voltei a viver!!!
O Autor

O Perdão liberta

Havia prometido para mim mesmo que não voltaria a escrever poemas, contos ou algo desta natureza, em função de outrora não ter atingido o objetivo desejado na minha empreitada sentimental: a conquista de um amor adolescente, que fechou as janelas da minha alma para a fantasia das paixões arrebatadoras.

Trilhei por um caminho de reclusa nesse meu lado do cérebro. Todavia, o tempo passou e, em determinado lugar na minha trajetória, acabei percebendo que não estava sendo justo comigo mesmo. Pensei: Como poderia inibir dentro de mim uma veia, um canal, uma janela pra vida tão importante? Pedi perdão a mim mesmo e me perdoei, pois entendi que a poesia em minha vida é uma porta que se abre e se fecha em todo o tempo, é uma oportunidade que tenho de dizer quem sou, mesmo se a intenção for ocultar-me; é um escape pela porta da frente; é um momento de libertação; é a hora H, em que traduzo a mim mesmo, e o instante em que encaro o meu próprio reflexo sem sombra de narcisismo, mesmo que consciente da beleza que reflete, da beleza que se manifesta nesse momento mágico que se configura, pois escrever o que sinto é mais que revelar-me, é como a relação do sol com a lua. Meu sentimento oculto expõe-se em dado momento e, a luz da poesia o reflete com glória e beleza.

Escrever poesia é como fazer amor, é uma mistura de prazer que envolve corpo, alma e espírito, envolve sair de si, descentrar-se; envolve revelação do íntimo; escrever poesia é ser íntegro no que sente; escrever poesia é gerar vida nas vidas, é transcender, é ser mais... Quando escrevo poesia, tudo em mim converge para um bem maior. No poema eu sou eu mesmo o tempo todo, no poema a luz que reflete está focada no cerne da minha alma... Não existe espaço para o artificial, posso até passear pelas trilhas da fantasia. No entanto, só trarei de lá o brilhantismo e as cores que traduzem a natureza de cada sentimento que ocupa a arquibancada do meu coração e me faz voar com as asas da imaginação para o mundo das letras...

Voltei a viver!!!
O Autor

Quanto vale seu beijo?

Vivi algumas crises na minha infância, dignas de alguém que descobria a vida com a alegria e a curiosidade de uma criança que abre o seu primeiro presente.

Lembro que ficava observando em novelas e filmes, os artistas se beijarem. Achava aquilo lindo, e muito bom de longe, por outro lado, tinha um nojo enorme, pensava: como seria trocar cuspi bactérias etc. e por conta disso até os meus 14 anos não beijei ninguém.

Quando eu estudava no pré-primário, eu gostei de uma garota, ela era linda, aliás, a única garota que me chamava atenção na escolinha. Eu e alguns coleguinhas lutávamos para guardar o lugar dela ao nosso lado, nesse dia consegui que ela sentasse comigo.

Poxa! Foi a minha chance! Mas, não finalizou como eu imaginava. Alguns minutos de glória, e ela virou-se para o meu lado e vomitou em mim. A partir dali o sonho de beijá-la um dia, se foi...

 A poucos dias estive pensando sobre como o beijo foi banalizado ao longo da história. O que era um ato de carinho, um sonho, uma relação de alma, um ato que transcende, um motivo de lutas e batalhas, uma forma especial de manifestar um sentimento, uma maneira de dizer: te amo, quando as palavras não conseguem dizer,  algo que talvez nem a poesia consiga dizê-lo na sua profundidade, tornou-se uma coisa comum e sem o devido valor.

Hoje beijo se consegue com mais facilidade que tirar doce de criança.

Nos dias de hoje, nem beijo roubado existe mais, pois não é mais necessario tanto esforço, é simplismente, olhou, gostou pegou beijou. É como diz a musa do beijo: “Comigo é na base do beijo” E não para por ai, a outra responde: Já beijei um, já beijei dois, já beijei três Hoje eu já beijei Vou beijar mais uma vez.

Que coisa... Pessoas que exercem um certo poder de influencia, levando tantos a uma condição de desmoralização. A ponto de conduzir um certo número de pessoas num só lugar a beijar-se simutaneamente, segundo o Guines Book.

Penso que o beijo deva ser um dos pontos do relacionamento a ser conquistado com seu devido empenho, respeito e momento.

Não se trata de uma visão conservadora, apenas compreendo que deva ser um momento especial, algo muito aguardado, permitido, vivenciado com paixão.

Não é apenas o toque dos lábios com qualquer coisa, como se dizem por aí.

Claro, existem algumas culturas que usam o beijo de maneira bem curiosa. Mas trata-se de cultura e não de banalização.

A exemplo da cultura ocidental. Lá, o beijo é considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual - neste último caso, o beijo pode ser também noutras partes do corpo, ou ainda o chamado beijo de língua.

Já os mais antigos relatos sobre o beijo remontam a 2.500 a.C., nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia. Diz-se que na Suméria, antiga Mesopotâmia, as pessoas costumavam enviar beijos aos deuses. Na Antiguidade também era comum, para gregos e romanos, o beijo entre guerreiros no retorno dos combates.

Era uma espécie de prova de reconhecimento. Aliás, os gregos, diga-se de passagem, adoravam beijar. Mas foram os romanos que difundiram a prática. Os imperadores permitiam que os nobres mais influentes beijassem seus lábios, e os menos importantes as mãos. Os súditos podiam beijar apenas os pés. Eles tinham três tipos de beijos: o basium, entre conhecidos; o osculum, entre amigos; e o suavium, ou beijo dos amantes.

Na Escócia, era costume o padre beijar os lábios da noiva ao final da cerimônia. Acreditava-se que a felicidade conjugal dependia dessa benção. Já na festa, a noiva deveria beijar todos os homens na boca, em troca de dinheiro.

Na Rússia, uma das mais altas formas de reconhecimento oficial era o beijo do czar.

No século XV, os nobres franceses podiam beijar qualquer mulher. Na Itália, entretanto, se um homem beijasse uma donzela em público, era obrigado a casar imediatamente.

Mas é também um sinal de reverência, ao se beijar, por exemplo, o anel do Papa ou de membros da alta hierarquia da Igreja etc. Na minha opinião, o que penso é que se devemos rever esse conceito do beijo. Qual a importância que a pessoa que te beija tem, a seu respeito ou que tipo de valor ou juizo ela tem sobre você, que relação de alma existe para que ela mereça algo tão importante e marcante na sua vida para tal?

Pense nisso!

Minhas memórias!

Vez por outra olho pra mim e percebo-me debruçado na janela dos meus pensamentos, viajando de volta por lugares que vivi enquanto criança. No ritmo cadenciado da locomotiva que trouxe eu e minha desfragmentada família à capital: “Café com pão, bolacha não, Café com pão, bolacha não, Café com pão, bolacha não...” Riscando os trilhos a todo vapor. Lembro bem que naquela noite, ou quase madrugada, dormimos no chão da estação, aguardando a chegada do trem. Durante a viagem, a minha avó segurou-me na janela do trem para que eu fizesse xixi da janela, pois o vagão do trem não possuía banheiro...
 
Meus pensamentos, de mãos dadas às minhas lembranças, tiram férias de um instante no agora, e vão a lugares fantásticos que marcaram a minha vida, lugares que refletiram paisagens que comporão a colcha de retalhos da minha história.

Nessa incursão, por um tempo pensei: Será que conseguirei descer descalço nas estações onde se encontram cenários que falarão muito do meu passado? Será que a aproximação dessas lembranças, não gerarão conseqüências complicadas de se resolver no presente? Será que algumas sombras recolhidas em seu devido lugar não voltarão a assombrar-me? Não sei, vou continuar!
 E em algumas estações da minha vida, defrontei-me com cenários que me trouxeram boas recordações...
      Voltei ao trem, continuei a viagem.
Adiante fui assaltado por uma lembrança que insistia em fazer-me de refém em uma estação importante da minha vida, a mesma julgava-se detentora de uma recordação valiosa: a imagem de meu pai indo embora com outra mulher que não era minha mãe...
Nesse ínterim, algo me chamou a atenção de uma forma estranha, era como se eu desejasse permanecer ali, olhando aquele cenário, incansavelmente, na imagem de uma criança, com camisa branca de botão, short de pano de saco, sandália havaiana, magro, triste e contemplativo em uma imagem que retratava um fim indesejado.

 No entanto, algo subitamente tomou-me pelos braços e arremessou-me de volta aos prumos da minha sanidade.
Rever a exposição de quadros que contém imagens antigas, pintadas com as nossas experiências de vida, onde fizemos questão de guardar, tentar esquecer, não tratar a imagem na época da pintura, verdadeiramente não é tão simples assim.

É preciso estar bem resolvido consigo mesmo. 
O que ainda não é o caso!


Ufa! Hora de trabalhar!

A importância de escrever e se descrever

Caro leitor, estamos com dois problemas: um é que começo esse texto sem saber o que dizer a você. E o outro é que você está sendo vítima e viajando nas águas desta minha recente desventura.

Escrever é mais ou menos assim: é ter coragem de dizer que não tem o que dizer; é não ter desculpas para justificar as folhas em branco acompanhadas de uma caneta sobre a escrivaninha; é se negar; é perguntar as musas inspiradoras dos seus devaneios; é não negar ao coração o desejo de retratar aquilo que ele insiste em chamar de “sentimentos alados”, personificados numa poesia, numa prosa, num conto, numa frase. Escrever, como diz Paixão Barbosa, “é colocar um pouco de si para fora, é revelar-se, mesmo quando a intenção é esconder-se ou mascarar-se”.(Joselito: livro: Sonhos e Realidade)

Escrever é dar credibilidade, liberdade aos seus sentimentos; é dizer a eles o quanto eles são importantes; é configurá-los no mundo real de maneira que seu retrato se personifique, compreensivo a todos. É, sobretudo, dizer à sua imaginação: descreve-me e eu mostro ao mundo quem sou: Digo o que penso em versos tortos / Por ser tão intenso também dolorosos / Agora não julgue meu triste lamento / Escrevo o que sinto doendo por dentro.
Escrever com simplicidade, sem os aparatos da vaidade e o rigor das escolas vernaculares, é também ser conduzido pela beleza de ser, pelo valor de existir e pela grandeza da sinceridade da alma e a leveza de espírito. Assim o diga Patativa do Assaré em “O Canto”: "Nós vamo a São Paulo /que a coisa tá feia / Por terras aléia / Nós vamo vagá / Se o nosso destino / não fô tão mesquinho / Pro mêrmo cantinho / Nós torna a vortá (...) / "Em riba do carro se junta a famia / Chegou o triste dia / Já vai viajá. / A seca terrive, que tudo devora / Lhe bota pra fora / Da terra natá. / De pena e sodade, papai / sei que morro! / Meu pobre cachorro / Quem dá de comê?/ Já ôto pergunta: Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato / Mimi vai morrê! / E a linda pequena, tremendo de medo: Mamãe, meus brinquedo! / Meu pé de fulô! / Meu pé de rosêra / coitado / ele seca! / O carro já corre / no topo da serra / Oiando pra terra / Seu berço, seu lá / Aquele nortista / partido de pena / De longe inda acena: Adeus, Ceará / No dia seguinte / já tudo enfadado / E o carro embalado / Veloz a corrê / Tão triste /  coitado / falando saudoso / Um fio choroso / Escrama a dizê:E a minha boneca / Também lá ficou / E assim vão dexando / com choro e gemido / Do berço querido / O céu lindo e azu / Os pai, pesaroso / nos fio pensando / E o carro rodando / Na estrada do Su / Agora pensando / segui ôtra tria / Chamando a famia / Começa a dizê: Eu vendo meu burro / meu jegue e o cavalo / Nós vamo a São Paulo / Vivê ou morrê / Meu pobre cachorro / Quem dá de comê?/ Já ôto pergunta: Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato / Mimi vai morrê! / E a linda pequena, tremendo de medo: Mamãe, meus brinquedo! / Meu pé de fulô! / Meu pé de rosêra / coitado / ele seca! / O carro já corre / no topo da serra / Oiando pra terra / Seu berço, seu lá / Aquele nortista / partido de pena / De longe inda acena: Adeus, Ceará / No dia seguinte / já tudo enfadado / E o carro embalado / Veloz a corrê / Tão triste /  coitado / falando saudoso / Um fio choroso / Escrama a dizê:E a minha boneca\Também lá ficou / E assim vão dexando / com choro e gemido / Do berço querido/O céu lindo e azu / Os pai, pesaroso / nos fio pensando / E o carro rodando / Na estrada do Su / Agora pensando / segui ôtra tria / Chamando a famia / Começa a dizê: Eu vendo meu burro / meu jegue e o cavalo / Nós vamo a São Paulo / Vivê ou morrê..."

Resumindo: A beleza e os valores da simplicidade na escrita, não estão na vaidade das palavras... todavia, na sinceridade  de alma.

Sem mais delongas... Obrigado por viajar comigo.                                                                      

O Autor.

Uma pitadinha de mim...

Joselito dos Santos, solteiro, natural de Alagoinhas, Bahia, é um sobrevivente.
Sua trajetória é digna de um romance.

Nascido em uma família com poucas condições, perdeu sua mãe cedo, aos 7 anos. A dor com a perda o marcou profundamente. A luta pela sobrevivência, no entanto, o fez continuar. Em alguns anos já estava morando em Salvador, com a avó e um irmão. Começou a estudar, mas, desestimulado, com pouco tempo abandonou os livros. Para se manter e ajudar nas despesas de casa, passou a trabalhar. Foi ambulante, representante de assinaturas de revistas, graças à ajuda de alguns amigos, João Batista assim como Joselina, e, alguns anos depois, auxiliar de serviços administrativos do Sistema Fieb, A quem também será eternamente grato, Marcelo Junqueira e Silvia Moacyr, ocupando a função que exerce até hoje. O dom revelado de escrever e o sonho de um dia lançar um livro com suas poesias o fez voltar a estudar, com o apoio do Programa de Educação de Adultos da mesma Instituição em que trabalha. Sentindo-se mais preparado, construiu o primeiro livro “Coração Aberto” agosto de 1999. Já tinha este outro bagagem, quando lançou o segundo, em maio de 2001. E agora presenteia a todos nós com um pouco mais de si, em “Fragmentos de mim mesmo” em 2010.
Hoje, Joselito também é Missionário, acompanha crianças e adolescentes numa Comunidade em Salvador, Recanto Feliz e Paraíso Azul, é Presidente da ONG Projeto Sem Fronteiras, e editor geral de o Jornal “A Voz do Beco”, Jornal criado por ele mesmo, produção independente.

Nada em Joselito surpreende mais do que a sua inabalável força de vontade.

Superando preconceitos e dificuldades, ele venceu. Contrariando a própria vida, provou que muita coisa é possível se lutarmos por elas com fé e confiança. É um exemplo para quem se esconde atrás dos seus próprios medos e simplesmente evita o embate. “Fragmentos de mim mesmo” é o seu terceiro livro. No primeiro e segundo livro, o amor por alguém foi sua fonte de inspiração para poemas. Afinal, que seria de um jovem poeta sem uma musa para cantar em seus versos? Neste, Joselito resolveu refletir mais a fundo revelando de si em fragmentos, mostrando mais da sua singularidade, indo além de um poeta apaixonado pela vida, revelando um pouco mais de si, em fragmentos.

Um convite poético para Joselito

Por:
Caio César Muniz
Editor da Coleção Mossoroense




Sempre recorro às cartas de Rainer Maria Rilke ao também poeta Franz Xaver Kappus quando me pedem para prefaciar uma obra.

As cartas já têm mais de cem anos, mas, em se tratando de aconselhamentos poéticos, parece que foram escritas ontem, ao cair da tarde, entre um café e um poema teimosos.
Prefaciar uma obra é uma espécie de apadrinhamento. O autor quer saber o que achamos daqueles versos que ele pôs no mundo e nós, os padrinhos, não temos como dizer que a criança é feia, afinal, são nossos afilhados.

Neste caso, mais específico, dos trabalhos de Joselito, realmente não há necessidade de mentiras, assim como ele, o autor, não precisa de apadrinhamentos (creio até que já o disse isto numa outra empreitada literária conduzida por ele).

Na carta de Rilke, escrita para Kappus em 17 de fevereiro de 1903, ele fala àquele escriba iniciante: “Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: ‘Sou mesmo forçado a escrever?’ Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples ‘sou’, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.”

Desta forma, digo para Joselito dos Santos: sim, seus versos são muitos bons aos meus olhos. Me agradam e me emocionam, mas não sou eu o dono da razão.

Como refere Rilke, goste você dos seus próprios escritos e o resto do mundo o seguirá. Creio que você está no caminho, percebe-se isto com facilidade e ao folhear a primeira página. Não vejo a hora de saborear esta mistura tão fina que você produziu: “Café com Poesia” é do título ao ponto final.