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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Confiança

Ponha –me num lugar seguro
Quem sabe no seu coração
Ponha-me em lugar nenhum
Ponha-me na casa de um botão
Ponho-me nas mãos de Deus
Entrego-me aos seus anjos
Ponho-me, pois de corpo inteiro
Segure-me com toda sua forca
Entrelaçando seus dedos nos meus
Meu amor no seu amor
Minha razão sem razão
Meu coração no seu coração
A vida acontece num instante...

Quem me ajuda?

Existe ponto de equilíbrio na desilusão?
É possível que sim, e possível que não
É bom ser iludido?Melhor não ter ilusão
O iludido acredita em tudo de coração
O desiludido crer na fé, mas põe a mão.

Ilusão é confusão dos diabos nos sentidos
Confunde, provoca, distorce a visão
Não parece bom ilusão ou estou iludido?
Se a percepção é baseada na interpretação
É melhor descer da lua e não ter ilusão.


Você

Eu, Niralma, dedico ao meu amigo e poeta Joselito.

Mesmo que viva mil anos
Não conheceria ninguém como você
Menino homem, homem menino,
Herói da vida vencedor do tempo
Pequeno no ter, gigante no ser
Fruto da paz e da emoção
Sensível e amargo ao mesmo tempo,
Mesclando esses sentimentos
Como se fosse doses de sabedoria,
Descompassada, porém em perfeita sintonia
Mestre em fazer crescer sentimentos
Profundos de pura alegria.

Recordar é viver ou sofrer?

Guardo no coração e na memória algo que
Nem o tempo nem a ausência me fará esquecer,
Os beijos que te dei os abraços que recebi,
As palavras que não ouvir e a dor que sentir
Guardo no coração e na retina a lembrança
Dos teus olhos amendoados de menina,
O cenário que a natureza preparou para
Encontrarmos-nos naquele lindo dia.
Guardo no coração e nos lábios a sensação
Do primeiro toque do teu corpo no meu,
Rego á esperança que um dia alguém apague
Essa idéia de guardar em mim um passado
 E não mais me deixará viver de apenas de
Recordações... Ocupando o vazio do meu
Coração!

Afinal o que é a poesia?

Traduzir em palavras o sentimento que é gerado nas entranhas do poeta é, praticamente, tentar explicar o inexplicável, tentar ver o invisível, enxergar no escuro. É, sobretudo, a constatação de um milagre divino.

A poesia não é triste;
A poesia não é alegre;
A poesia não tem forma;
A poesia não tem cor;
A poesia não tem som;
A poesia não deforma;
Na poesia tem graça;
Na poesia se recorda;
A poesia é simples;
Há poesias com formas;
Há poesias diferentes;
A poesia conforma;
A poesia é rica;
A poesia não se constrói;
A poesia é lírica;
Na poesia se constrói;
A poesia é pura;
A poesia é repleta;
Na poesia há vida;
Com poesia se interpreta;
Há poesia com cadência;
Há poesia aleatória;
Há poesia parnasiana;
Há poesia contemporânea;
A poesia é um milagre;
Há poesia na bíblia;
A poesia desvela;
A poesia transcende;
A poesia revela;
A poesia não tem raça;
A poesia não tem crença;
Há poesia sem preconceito;
A poesia está em mim;
A poesia está em ti;
A poesia está em nós;
Há poesia nos girassóis;
A poesia desnuda o sentimento;
A poesia não se propaga no vento;
A poesia retrata o sentimento;
A poesia revela o individuo;
A poesia é o desabafo do desalento;
A poesia é a lucidez da minha eloqüência transloucada, no desejo ardente em revelar-me, na abertura das cortinas do palco de minhas emoções!
Na poesia, posso ser eu mesmo,
A todo tempo!

Como negar?

De Sonia Pedrão Rio Branco Garrido
Para Joselito

Há poesia em cada suspiro deste rapaz,
Há poesia em sua coragem e seu medo,
Há poesia em sua incessante busca de paz
E na  expressão de seu desassossego.
Há poesia  no seu conflito humano
Em buscar se esconder, e expondo
Em equilibrar o seu sagrado e o profano
Há poesia  em viver sua vida compondo
Há poesia na solidão que lhe cala fundo
Há poesia  neste coração errante
Há poesia no seu amor pelo amor profundo
No sentimento pelo próximo e o distante
Há poesia  na esperança que o sustenta
Há tanta poesia na sua capacidade de inspirar
Que até eu fiquei poeta!
Deus abençoe seu direito de amar!

Quando eu falava e pensava como menino!

Eu era menino, lá em São Tome, subúrbio de salvador, criado pelos meus avos, tios e irmão, vivia na condicional como mandava o figurino, minhas saídas e visitas fosse para onde fosse, eram limitadas ao aonde vai? Com quem vai? O que vai fazer? Esteja aqui tal horas etc.

Meus avos eram pessoas de pouco conhecimento não haviam freqüentado a escola, logo, suas limitações eu as compreendia, só não concordava.

O regime era bruto e a disciplina severa!

Foi ai que comecei a usar dos artifícios da mentira para experimentar algo que não estava ao meu alcance. O acesso às ruas sem restrições. 

Meus colegas sempre que fugiam de casa para as ruas, na maioria das vezes, eram motivados pelo baba, ou alguma garota, ou quem sabe o quintal do vizinho.

Eu nunca fui dado a esportes, e menos ainda, sortudo no que se refere ao amor. Tentei investir em alguns relacionamentos, mas as meninas me diziam: Cresça e apareça”. Que maldade! Como eu não cresci, nunca apareci...Logo...Risos! Ate que brinquei algumas vezes de esconde-esconde com algumas primas, mas...papai e mamãe, mas nada que se consolidasse.

Eu era apaixonado por artes marciais, fã de Bruce Lee, mas eu não poderia praticar, pois minha estrutura óssea não permitia, eu tinha medo de machucar-me. Nunca fui seduzido por futebol, Vôlei, Basquete nem se fala... ou outros esportes dessa natureza. E obvio o por quê né?!!!

 Eu era razoavelmente bom em jogar bola de gude, um esporte apropriado para alguém da minha altura. Ate porque, era um esporte que não exigia de mim grandes pernas para correr, braços longos para encestar ou fazer um bom corte no vôlei. Restavam apenas meus incríveis dedos pequenos para praticar meu esporte, bola de gude.

Mas entre uma gude e outra, entre uma fugida da escola e outra, eu amava ir pescar.

Ah! Como eu amo pescar. Não pescar de vara, mas com linha na mão em alto mar. Mesmo sem saber nadar. Eu era retadinho!

Saia a barco com os colegas, tinha um espírito aventureiro, gostava de emoções fortes. Eles faziam estripulias no mar, como pular ondas, fazer manobras fechadas, atravessar de São Tome a Ilha de Maré e, eu ali dentro daquele barco, sem um colete salva-vidas, vivendo uma espécie de desespero misturado com alegria, sabe aquele momento em que você esta num carrinho de montanha russa, no momento em que ele ainda não saiu na estação de partida? Aquela sensação, onde você pensa: Poxa, conseguir, agora e minha vez! Isso, misturado com a sensação de esta no topo da descida da montanha. Pois é, foi isso que sentir... Era uma sensação fantástica! Algo que me fazia ir pra casa muuuito melhor depois contava minhas vantagens, o perigo que vivi... Coisa de menino! Uma forma de masoquismo psicológico, ao mesmo tempo em que eu sabia que aquilo poderia me matar, mais eu ainda desejava e sentia prazer naquilo.

Boas lembranças!

Flor de Camila

Certa vez, um pequeno jovem passeava numa praça, muito feliz. Sempre sorridente, observando os lindos jardins de sua cidade, até que uma linda flor chamou-lhe a atenção.

Embevecido pelos encantos da pequena flor ocorreu-lhe uma indagação: “Como te chamas?” Ao perceber seu silêncio pôs-se a contemplá-la com mais afinco, absorvido que estava com a beleza singular desta magnífica flor.

Subitamente, surge, como que por encanto, um velho, de aparência frágil, mas de um vigor interior muito forte. Sem muitas delongas aproximou-se do garoto e contou-lhe uma história sobre a venerada flor, - objeto de sua adoração – que o deixou fascinado e, ao mesmo tempo, apreensivo! A história versava sobre um momento particular dessa flor e o velho a contava como se houvesse acompanhado a sua trajetória natural e sua importância naquele jardim.

“Num passado distante, existiu uma garota chamada Camila. Camila era alegre, simpática, brincalhona e muito extrovertida. Vivia sorridente e feliz até a chegada de Hanskovisky, um certo jovem que chegou à cidade a procura de emoções fortes. Hanskovisky, era um jovem descendente de Alemão, filho de Senhor Hanskey, um ex-combatente, reformado, casado com uma brasileira Rancine, do interior de Maranguape, filha de um barão do café, enviada pelos seus pais para fora do país, para estudar, conhecendo lá o senhor  Hanskey, namoraram e casaram-se e tiveram um filho, Tibucio Hanskovisky.

Quando seus pais decidiram vir embora para o Brasil, Hanskovisky ficou com os seus avós, por parte de mãe, que já estavam morando em São Paulo, na capital para estudar, e Rancine e senhor Hanskey, seguiram para Salvador-Bahia.

Hanskovisky era muito simpático, herdou isso de sua mãe, e o coração romântico do pai, todavia, herdou do avô paterno a personalidade forte e seu jeito brincalhão.

O jovem guardava em seu coração a esperança de encontrar um grande amor, a despeito de seu jeito, as vezes, debochado e sua aparente descrença nas mulheres.

Entretanto, numa tarde de sol forte, Hanskovisky passeava numa rua estreita, de caminhos íngremes e topografia incerta. Seus pensamentos vagavam por entre plagas desconhecidas e ele não se dava conta dos caminhos que estava percorrendo. Caminhos que o levariam ao encontro com o destino. Ao virar uma esquina, deparou-se com uma jovem de aparência bela: pele clara, cabelos pretos e olhos castanhos-amendoados. Era de uma beleza singular. Hanskovisky ficou tão encantado com a jovem que quase não conseguia mover as pernas para dar o seguimento a sua viagem.

Os dois entreolharam-se rapidamente e a jovem continuou seu passeio em direção a uma rua desconhecida deixando o nosso jovem ali, parado, seguindo-a com os olhos e gravando-a em sua retina. Tudo não durou mais que 10 segundos, mas para Hanskovisky foi como se fosse uma eternidade: aquela garota ali... a seu alcance despertando-lhe emoções que há muito não sentia (...)

De repente, a garota sumiu no final da rua, fazendo o jovem rapaz recompor-se daquele que seria o melhor susto da sua vida.

Hanskovisky seguiu seu caminho tentando dar nova orientação aos seus pensamentos. Porém, era impossível esquecer aquela visão magnífica, estonteante, uma imagem que ficou gravada no seu consciente e ele percebeu que sua “viagem” encerrava-se ali, naquela esquina; como se  aquele encontro significasse o fim de uma busca... de uma aventura; de um sonho que Hanskovisky alimentava há muito – o de encontrar a sua “cara metade”.

Passaram-se alguns anos até que Hanskovisky a visse novamente. Nesse ínterim, o sofrimento foi o alicerce que edificou o seu amor por Camila, fazendo-o cada vez mais forte a ponto de dispensar os assédios mais contumazes. Desta vez, o encontro foi mais caloroso. Camila estava mais solícita, mais receptiva. Seus olhos revelavam um brilho tão fascinante que deixava o nosso jovem ainda mais apaixonado. Porém, Hanskovisky estava cauteloso, tentava disfarçar  a emoção de tê-la novamente à sua frente. Suas mãos suavam e sua voz estava embargada. As palavras soavam como um disco arranhado tal a emoção que o dominara; seus olhos estavam fitos nos de Camila. Para ele, o mundo parou ali. O mundo estava no rosto de Camila, de traços delicados e formas geometricamente perfeitas.

Surpreendentemente, Camila afaga-lhe a face deixando o rapaz ainda mais nervoso – ele não imaginou que merecia o toque daquelas mãos tão meigas.

Subitamente, Hanskovisky sente seus lábios envolvidos no de Camila e, apertando seu corpo ao dela, percebe sua respiração interromper-se num longo beijo.

Com os olhos semi-cerrados, curtindo as emoções daquele momento, Hanskovisky não percebe, ainda, a ausência de Camila. Ao abri-los, qual não é sua surpresa ao descobrir que sua amada havia desaparecido. Antônio procura-a ao seu redor, andando de um lado para outro, tentando entender o que acontecera.

Deslocado e triste, nosso jovem sentou-se em uma pedra, mãos entre os joelhos, apoiando a cabeça, e põe-se a chorar. Chorar copiosamente como se quisesse tirar de suas entranhas a dor da perda de seu amor.

Enfraquecido, sem a mínima esperança de reencontrá-la, caminhou em direção a um jardim e, fitando uma pequena flor que acabara de desabrochar, tocou-a delicadamente e chamou-a de flor de Camila – uma forma de perpetuar, naquele jardim, na beleza daquela flor, o seu amor por Camila.

 Ao termino da história o jovem que a escutava com tamanha atenção, não sabia o que dizer, grande era sua admiração pelo que acabara de ouvir. Ele levou algum tempo para perceber que o Velho também sumira – tal qual o personagem da história – e seguiu, tranqüilamente, com a promessa, em seu íntimo, de todas as manhãs regar aquela flor, que passou a ter um significado maior em sua vida, tal a sua verdadeira importância naquele jardim.