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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Olho mágico!

Estou preocupado!  

Acho que a minha criança interior está ficando doente ou quem sabe está sofrendo de síndrome de adultice.

O que é síndrome de adultice? Qual o sintoma para tal diagnóstico?  

Estou um tanto sem imaginação, as musas inspiradoras não têm-me visitado com tanta freqüência, dizem-me que estou chato, ficando adulto, velho, preguiçoso, míope para ver aquilo que só as crianças conseguem ver. Racional demais. Falta-me vontade de escrever, não rio mais das peripécias das crianças, esquecendo-me das cantigas que fazem crianças alegres. Parece que estão morrendo em mim as raízes que alimentavam as memórias do tempo em que eu era criança, já não lembro de tudo de lá.  

Esse sintoma também é percebido quando a criança interior começa a perder o desejo de ser livre, começa a filtrar por demais aquilo que só as crianças sabem falar com liberdade, ou se falo, não falo com a inocência de dizer, mas com a intenção de coagir, ou defender-me. Quase não me vejo indo além da imaginação, da fantasia e da   crença na magia da vida,  deixando de ser turista no mundo daqueles que conseguem viver além dos limites da mente adulta.

É uma doença terrível!    

Por favor, não me interpretem mal! Não estou dizendo com isso, que sofro da síndrome de Chaves ou de Peter Pan, ou que desejo viver na terra do nunca e nunca crescer, ou até que não quero ser adulto. Apenas informo que, por maiores que sejam as responsabilidades que venham com a idade adulta, a nossa criança interior não precisa deixar de existir. Essa criança interior não deve existir para ser vivida na dimensão de isenção de responsabilidades, ou como um pretexto para não assumir degraus que convergem para uma demanda de vida necessária. Para se caminhar com uma criança, é necessário estarmos dispostos a entender as cores, o colorido, o cenário, o circo, a imaginação que aquele ser que anda ao seu lado, imagina existir.

Por isso, imagino que estou com essa doença, preciso conversar com algumas crianças, quem sabe elas podem acender em mim a chama que eu preciso para voltar a ver assim como as crianças vêem a terra e o céu!

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