Eram dezoito horas do dia nove de junho de dois mil e cinco, quando saí das instalações do Sistema FIEB para assistir a um filme no cinema com uma amiga.
Eu, depois de todo um planejamento, todo um jogo de cintura para convidá-la, convidei-a. A Jovem aceitou o convite com ar de satisfação – o que já ajudou bastante – dizendo: Seria melhor na quarta, pois é mais barato. Eu, querendo fazer bonito, acabei emaranhado em minha própria pretensão.
Como nem sempre as coisas acontecem do jeito que planejamos, o inesperado aconteceu. Ela lembrou-se de um compromisso que já havia marcado, e acabou por não dar certo na quarta, ficando para a quinta feira.
Tudo certo, o amigo que trabalha no cinema conseguiria para mim os dois ingressos, livrando os vinte e seis reais que eu tinha no bolso para uma “média” depois do filme.
Marquei de encontrar-me com a jovem na ala de alimentação do terceiro piso do Shopping Iguatemi. Ao chegar lá a mesma estava com fome, resolveu ir lanchar, enquanto isso, eu pensando: - vou pedir que ela suba para a sala de espera do “multiplex” enquanto eu pego os bilhetes. Tudo certo, até eu ter a drástica informação que o amigo que iria presentear-me com os “passaportes para alegria” teria ido embora.
Para o meu desespero, eu tinha no bolso a quantia de R$26,00 menos R$1,50 de voltar para casa.
Pensei: - Meu Deus, o que fazer numa hora dessas? Ajuda-me por favor! A filha de Deus veio cansada do trabalho para assistir a um filme comigo, não vou dizer para ela “volte, não deu certo” seria o maior GURILA DA MINHA VIDA QUE EU IRIA PAGAR “, pois bem, fui falar com a jovem com ar de tranqüilo. Ela perguntou-me: o que foi, por que demorou tanto? Eu sem graça, sem querer deixar pistas disse: - não, é que... eu fiz uma programação e deu outra, o colega... blá, blá, blá, mas está tudo sob controle, fique tranqüila.
E com a maior cara de pau, eu falei: “Você tem ai um real para emprestar-me?” Ela, toda meiga, motivada por um espírito de boa Samaritana respondeu: - Claro, tudo bem... depois corri para um outro amigo na ala de baixo: Felipe, consiga-me um real para completar o dinheiro do ingresso e ele vendo meu desespero, a ponto de ter um troço, ajudou-me. Consegui o dinheiro completo, isso pra sessão das 20:40h.
Assistimos ao filme Senhor e Senhora Smith. Porém, eu, preocupado como voltar para casa depois das 23:00h, nem prestei muita atenção no filme.
Resumindo, levei a jovem no ponto de ônibus, e aventurei a pedir carona a um motorista de ônibus. Ao aproximar-me do cidadão, cumprimentei-o e, cheio de “dedo”, pedi carona. Mas, para piorar minha situação, o motorista antes mesmo de dizer se poderia ou não subir ao ônibus, parou durante um tempo olhando para minha cara – o que me fazia pensar: “ele deve está me achando um tremendo cara-de-pau, eu, bem vestido, pedindo carona a uma hora desta – tomado pela vergonha, eu só tive coragem de pedir até o jornal A Tarde, depois desci e fui andando até o Costa Azul, e pensando: ... Isso é o que dá quando se tenta manter a reputação intacta, ou melhor, quando não se quer passar vexame”.
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