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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A importância de escrever e se descrever

Caro leitor, estamos com dois problemas: um é que começo esse texto sem saber o que dizer a você. E o outro é que você está sendo vítima e viajando nas águas desta minha recente desventura.

Escrever é mais ou menos assim: é ter coragem de dizer que não tem o que dizer; é não ter desculpas para justificar as folhas em branco acompanhadas de uma caneta sobre a escrivaninha; é se negar; é perguntar as musas inspiradoras dos seus devaneios; é não negar ao coração o desejo de retratar aquilo que ele insiste em chamar de “sentimentos alados”, personificados numa poesia, numa prosa, num conto, numa frase. Escrever, como diz Paixão Barbosa, “é colocar um pouco de si para fora, é revelar-se, mesmo quando a intenção é esconder-se ou mascarar-se”.(Joselito: livro: Sonhos e Realidade)

Escrever é dar credibilidade, liberdade aos seus sentimentos; é dizer a eles o quanto eles são importantes; é configurá-los no mundo real de maneira que seu retrato se personifique, compreensivo a todos. É, sobretudo, dizer à sua imaginação: descreve-me e eu mostro ao mundo quem sou: Digo o que penso em versos tortos / Por ser tão intenso também dolorosos / Agora não julgue meu triste lamento / Escrevo o que sinto doendo por dentro.
Escrever com simplicidade, sem os aparatos da vaidade e o rigor das escolas vernaculares, é também ser conduzido pela beleza de ser, pelo valor de existir e pela grandeza da sinceridade da alma e a leveza de espírito. Assim o diga Patativa do Assaré em “O Canto”: "Nós vamo a São Paulo /que a coisa tá feia / Por terras aléia / Nós vamo vagá / Se o nosso destino / não fô tão mesquinho / Pro mêrmo cantinho / Nós torna a vortá (...) / "Em riba do carro se junta a famia / Chegou o triste dia / Já vai viajá. / A seca terrive, que tudo devora / Lhe bota pra fora / Da terra natá. / De pena e sodade, papai / sei que morro! / Meu pobre cachorro / Quem dá de comê?/ Já ôto pergunta: Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato / Mimi vai morrê! / E a linda pequena, tremendo de medo: Mamãe, meus brinquedo! / Meu pé de fulô! / Meu pé de rosêra / coitado / ele seca! / O carro já corre / no topo da serra / Oiando pra terra / Seu berço, seu lá / Aquele nortista / partido de pena / De longe inda acena: Adeus, Ceará / No dia seguinte / já tudo enfadado / E o carro embalado / Veloz a corrê / Tão triste /  coitado / falando saudoso / Um fio choroso / Escrama a dizê:E a minha boneca / Também lá ficou / E assim vão dexando / com choro e gemido / Do berço querido / O céu lindo e azu / Os pai, pesaroso / nos fio pensando / E o carro rodando / Na estrada do Su / Agora pensando / segui ôtra tria / Chamando a famia / Começa a dizê: Eu vendo meu burro / meu jegue e o cavalo / Nós vamo a São Paulo / Vivê ou morrê / Meu pobre cachorro / Quem dá de comê?/ Já ôto pergunta: Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato / Mimi vai morrê! / E a linda pequena, tremendo de medo: Mamãe, meus brinquedo! / Meu pé de fulô! / Meu pé de rosêra / coitado / ele seca! / O carro já corre / no topo da serra / Oiando pra terra / Seu berço, seu lá / Aquele nortista / partido de pena / De longe inda acena: Adeus, Ceará / No dia seguinte / já tudo enfadado / E o carro embalado / Veloz a corrê / Tão triste /  coitado / falando saudoso / Um fio choroso / Escrama a dizê:E a minha boneca\Também lá ficou / E assim vão dexando / com choro e gemido / Do berço querido/O céu lindo e azu / Os pai, pesaroso / nos fio pensando / E o carro rodando / Na estrada do Su / Agora pensando / segui ôtra tria / Chamando a famia / Começa a dizê: Eu vendo meu burro / meu jegue e o cavalo / Nós vamo a São Paulo / Vivê ou morrê..."

Resumindo: A beleza e os valores da simplicidade na escrita, não estão na vaidade das palavras... todavia, na sinceridade  de alma.

Sem mais delongas... Obrigado por viajar comigo.                                                                      

O Autor.

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