Havia prometido para mim mesmo que não voltaria a escrever poemas, contos ou algo desta natureza, em função de outrora não ter atingido o objetivo desejado na minha empreitada sentimental: a conquista de um amor adolescente, que fechou as janelas da minha alma para a fantasia das paixões arrebatadoras.
Trilhei por um caminho de reclusa nesse meu lado do cérebro. Todavia, o tempo passou e, em determinado lugar na minha trajetória, acabei percebendo que não estava sendo justo comigo mesmo. Pensei: Como poderia inibir dentro de mim uma veia, um canal, uma janela pra vida tão importante? Pedi perdão a mim mesmo e me perdoei, pois entendi que a poesia em minha vida é uma porta que se abre e se fecha em todo o tempo, é uma oportunidade que tenho de dizer quem sou, mesmo se a intenção for ocultar-me; é um escape pela porta da frente; é um momento de libertação; é a hora H, em que traduzo a mim mesmo, e o instante em que encaro o meu próprio reflexo sem sombra de narcisismo, mesmo que consciente da beleza que reflete, da beleza que se manifesta nesse momento mágico que se configura, pois escrever o que sinto é mais que revelar-me, é como a relação do sol com a lua. Meu sentimento oculto expõe-se em dado momento e, a luz da poesia o reflete com glória e beleza.
Escrever poesia é como fazer amor, é uma mistura de prazer que envolve corpo, alma e espírito, envolve sair de si, descentrar-se; envolve revelação do íntimo; escrever poesia é ser íntegro no que sente; escrever poesia é gerar vida nas vidas, é transcender, é ser mais... Quando escrevo poesia, tudo em mim converge para um bem maior. No poema eu sou eu mesmo o tempo todo, no poema a luz que reflete está focada no cerne da minha alma... Não existe espaço para o artificial, posso até passear pelas trilhas da fantasia. No entanto, só trarei de lá o brilhantismo e as cores que traduzem a natureza de cada sentimento que ocupa a arquibancada do meu coração e me faz voar com as asas da imaginação para o mundo das letras...
Voltei a viver!!!
O Autor
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