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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando eu falava e pensava como menino!

Eu era menino, lá em São Tome, subúrbio de salvador, criado pelos meus avos, tios e irmão, vivia na condicional como mandava o figurino, minhas saídas e visitas fosse para onde fosse, eram limitadas ao aonde vai? Com quem vai? O que vai fazer? Esteja aqui tal horas etc.

Meus avos eram pessoas de pouco conhecimento não haviam freqüentado a escola, logo, suas limitações eu as compreendia, só não concordava.

O regime era bruto e a disciplina severa!

Foi ai que comecei a usar dos artifícios da mentira para experimentar algo que não estava ao meu alcance. O acesso às ruas sem restrições. 

Meus colegas sempre que fugiam de casa para as ruas, na maioria das vezes, eram motivados pelo baba, ou alguma garota, ou quem sabe o quintal do vizinho.

Eu nunca fui dado a esportes, e menos ainda, sortudo no que se refere ao amor. Tentei investir em alguns relacionamentos, mas as meninas me diziam: Cresça e apareça”. Que maldade! Como eu não cresci, nunca apareci...Logo...Risos! Ate que brinquei algumas vezes de esconde-esconde com algumas primas, mas...papai e mamãe, mas nada que se consolidasse.

Eu era apaixonado por artes marciais, fã de Bruce Lee, mas eu não poderia praticar, pois minha estrutura óssea não permitia, eu tinha medo de machucar-me. Nunca fui seduzido por futebol, Vôlei, Basquete nem se fala... ou outros esportes dessa natureza. E obvio o por quê né?!!!

 Eu era razoavelmente bom em jogar bola de gude, um esporte apropriado para alguém da minha altura. Ate porque, era um esporte que não exigia de mim grandes pernas para correr, braços longos para encestar ou fazer um bom corte no vôlei. Restavam apenas meus incríveis dedos pequenos para praticar meu esporte, bola de gude.

Mas entre uma gude e outra, entre uma fugida da escola e outra, eu amava ir pescar.

Ah! Como eu amo pescar. Não pescar de vara, mas com linha na mão em alto mar. Mesmo sem saber nadar. Eu era retadinho!

Saia a barco com os colegas, tinha um espírito aventureiro, gostava de emoções fortes. Eles faziam estripulias no mar, como pular ondas, fazer manobras fechadas, atravessar de São Tome a Ilha de Maré e, eu ali dentro daquele barco, sem um colete salva-vidas, vivendo uma espécie de desespero misturado com alegria, sabe aquele momento em que você esta num carrinho de montanha russa, no momento em que ele ainda não saiu na estação de partida? Aquela sensação, onde você pensa: Poxa, conseguir, agora e minha vez! Isso, misturado com a sensação de esta no topo da descida da montanha. Pois é, foi isso que sentir... Era uma sensação fantástica! Algo que me fazia ir pra casa muuuito melhor depois contava minhas vantagens, o perigo que vivi... Coisa de menino! Uma forma de masoquismo psicológico, ao mesmo tempo em que eu sabia que aquilo poderia me matar, mais eu ainda desejava e sentia prazer naquilo.

Boas lembranças!

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