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domingo, 23 de janeiro de 2011

O poema e seu ofício

Morre o poeta, nasce a promessa de
Mais um poema ganhar vida eterna
A musa é a fonte de amor e de beleza
                Dando-lhe luz, existência eterna.

Nos cativa com graça, seduz, embeleza.
Segredos confessos, guardados se reza.
Encantos, suspiros, amor, desencontros;
Traduz o poema, às vezes em pranto;

É doce a letra, sozinho a escrevo,
A mesma que chora, a tantos encanta;
Me lembra a vida, até o teu cheiro
Por isso escrevo, sorrindo ou em prantos.

PCC

Tomo café com poesia assim
Como faço poesia com café
Com café como pão todo dia
E faço poesia tomando café

Café e sempre boa companhia
Seja para fumantes, leitores,
Poetas, enfim, escritores...
O bom café tem seus valores,

Tomo café pelo cheiro, assim,
Provo dele todo dia o dia inteiro
Bebo-o como bebo vinho,
Seu gosto vem depois do prazer...
Assim bebo café e você?

Passagem de um poema

Escrevo um poema em versos tristes
Traduzido em letras, meu dilema existe.
Um fim descabido, um poema furtado.
Em meio aos arquivos, ele foi deletado.

Sua ausência existe sua presença faz falta,
Sua mensagem insiste em tocar-me n´alma.
Em grande quilate, seu valor declamado.
Um poema inocente, sucumbido, e tragado.

Cravarei em sua lápide um desejo latente:
A um poema querido, privado da gente.
Acolhido por musas em leito de glória
Sua lembrança existe, pra nossa história!

Há poesias

Há poesia em tudo que vejo
Há poesia no ato, no desejo.
Há poesia em tudo que sinto
Há poesia em mim, admito.
Há poesia na coragem e no medo.
Há poesia na cama, no sossego.
Há poesia no lixo que vejo
Há poesia na rua no vilarejo
Há poesia na dor e na alegria
Há poesia no choro de quem sorria
Há poesia em livros, nas favelas.
Há poesia no garoto, nas vielas.
Há poesia no canto dos pássaros
Há poesia no encanto dos reparos.
Há poesia em Deus e no mundo
Há poesia no canto do moribundo.
Há poesia no sagrado, no profano.
Há poesia na verdade, no engano.
Há poesia na mascara e sinceridade
Há poesia na hipocrisia, na verdade.
Há poesia no palco e nas luzes
Há poesia nas palavras de Jesus
Há poesia no céu e nas estrelas
Há poesia na chama e na centelha.

Ansiedade

Não há tempo nem espaço que útil se faça,
Quando a ansiedade, sem pedir, nos abraça!
O espaço se perde, no tempo sucumbe.
Sem licença invade, nos deixa confuso!
Sentimento sem graça, revela a desgraça.
Nem sinal, sem aviso, por hora nos laça.
Inquieta-nos n´alma, faz pulsar o peito,
Provoca suspiro, aflição, desse jeito.
É malvada, é danosa, é sutil, nos maltrata.
Cessa fome, tira sono, alegria, nos mata.
Ela é forte, age dentro, e consome o alento.
Por vezes, assim me sinto por dentro!
Só mesmo Jesus pra me livrar deste tormento

Sinceridade

Digo o que penso em versos tortos
Por ser tão intenso também doloroso
Agora não julgue meu triste lamento
Escrevo o que sinto doendo por dentro
Eu sei que doeu, machucou o peito;
Mas tem que ser eu a sofrer desse jeito?

Um poeta

Não há nada que se compare
Ao coração do poeta amante.
Que de sofrer não pára
Dores inquietas e lancinantes.
Das amarguras vividas,
Abre-se o peito, fala a ferida.
Pelos olhos lacrimejantes,
Caminho errante segue na vida
Guerreiro de luta e glória
Na campanha do amor constante.
Segue em busca da vitória
O conquistador poeta, o amante.